terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Gagueira

 
 
 
 
A gagueira é geralmente classificada como perturbação da fala e da linguagem porque, na maioria das vezes, se instala desde as primeiras fases de aquisição da linguagem, de maneira intermitente e discreta, até se fixar, depois de dois ou três anos de evolução.
Perturbação da fala que se caracteriza pela repetição iterativa de fonemas e pela parada da emissão por bloqueio, com sincinesias motrizes -- que são esforços excessivos e contrações coordenadas involuntárias -- a gagueira origina-se de uma desorganização dos movimentos sinérgicos de fonação e pode aparecer de maneira súbita, em conseqüência de um choque emocional. Costuma instalar-se no indivíduo por volta dos seis anos de idade e coincide com o início da escolaridade primária. Às vezes registra-se a chamada gagueira clônica transitória, por volta dos três anos, que pode desaparecer em algumas semanas, e corresponde ao estágio de aquisição do controle da organização do discurso.
A causa da gagueira é controvertida. Há quem a considere como decorrente de um estado neurológico anormal; outros a consideram de origem puramente psicogênica, baseados na possibilidade de seu aparecimento brusco e tardio em indivíduos até então perfeitamente normais. Esses casos ocorrem em geral em portadores de alguma anomalia discreta da fala na primeira infância. Outra teoria dá como causa possível a existência de alguma anomalia auditiva, como por exemplo quando os dois ouvidos não têm o mesmo nível de audição, o que resulta numa defasagem nas sensações acústicas. Para outros, a gagueira parece decorrer essencialmente de uma perturbação da linguagem, por aparecer muitas vezes em indivíduos que apresentaram retardamento da fala. Há quem aponte como causa uma dominância hemisférica cerebral mal estabelecida. Embora sejam muitos os gagos com dominância cruzada (destro de mão, canhoto de pé etc.) ou ambidestros, há uma boa porcentagem de destros portadores de gagueira.
Conclui-se que a gagueira é uma perturbação complexa, na qual há certamente uma participação psíquica, mas que se concretiza sob forma de perturbação da fala precisamente devido a uma fragilidade lingüística pré-existente.

Características dos Seres Vivos


Além da característica de que os seres vivos são formados de células, existem outros aspectos que devem ser considerados, uma vez que se verificam somente entre eles. Os seres vivos, por exemplo, necessitam de alimento, passam por um ciclo de vida e são capazes de se reproduzir.
 Os seres vivos necessitam de alimento.
Uma pedra não precisa de nutrientes para se manter, ao contrário do que ocorre entre os seres vivos. É por meio dos alimentos que os seres vivos adquirem a matéria-prima para o crescimento, a renovação de células e a reprodução. São os alimentos também que fornecem a energia necessária para s realização de todas as atividades executadas pelo organismo. 

 As plantas produzem seu próprio alimento.

Existem seres que são capazes de produzir seus próprios alimentos. Por isso são chamados de seres autotróficos. É o caso das plantas.
Toda planta faz fotossíntese, um processo de produção de alimentos que ocorre na natureza em presença da energia solar. Para realizar a fotossíntese é necessário que a planta tenha clorofila, um pigmento verde que absorve a energia solar; a planta necessita também de água e de sais minerais, que normalmente as raízes retiram do solo, e ainda de gás carbônico
(CO2) do ar atmosférico, que penetra na planta através das folhas.
A glicose é um dos produtos da fotossíntese. Outro produto é o gás oxigênio, que a planta libera para o ambiente. Com a glicose a planta fabrica outras substâncias, como o amido e a sacarose. O amido é encontrado, por exemplo, na "massinha branca" da batata e do feijão. A sacarose é o açúcar que costumamos usar para adoçar, por exemplo, o café e os sucos; ela é encontrada naturalmente da cana-de-açúcar.
A planta, dessa forma, se alimenta dos nutrientes que ela própria fabrica, a partir de energia luminosa, da água e do gás carbônico, obtido do ambiente em que vive.
            Os sais minerais são indispensáveis para a ocorrência de inúmeros fenômenos que acontecem nos seres vivos. Os sais de magnésio, por exemplo, são necessários para a produção das clorofilas, uma vez que participam da constituição desses pigmentos. E, sem clorofila, a planta fica incapacitada para a realização da fotossíntese.

            Os animais não produzem seus alimentos
 
Os animais, ao contrário das plantas, não produzem os seus alimentos. Por isso são chamados de seres heterotróficos.
            Alguns só comem plantas (folhas, sementes, etc); são chamados os animais herbívoros. Outros só comem carne; são os carnívoros. Outros ainda nutrem-se de plantas e de outros animais; são os onívoros.

            Os seres vivos nascem...e morrem
 
            Os seres vivos nascem, desenvolvem-se, reproduzem-se, envelhecem e morrem.
Essas diferentes fases da vida de um ser constituem o seu ciclo de vida. Esse ciclo tem duração variável, de um tipo de ser vivo para outro.Veja alguns exemplos que indicam a duração média aproximada de vida de alguns animais.           
Arara: 60 anos
 Crocodilo: 80 anos

Cabra: 17 anos
 Elefante: 100 anos

Chimpanzé: 20 anos
 Leão: 20 anos

Coelho: 7 anos
 Porco: 10 anos

Coruja: 27 anos
 Rato: 4 anos
 

    O ciclo de vida pode durar minutos ou centenas de anos, conforme o ser vivo considerado. Algumas bactérias podem completar seu ciclo de vida em cerca de 30 minutos. Outros seres, como as sequóias e alguns tipos de pinheiro, podem viver
4 mil anos ou mais.
           
            Os seres vivos produzem seus descendentes
 
Todos os seres vivos têm capacidade de produzir descendentes, através da reprodução. O mecanismo de reprodução nos seres vivos é muito variado. Basicamente, tanto os seres unicelulares quanto os pluricelulares podem produzir-se de duas maneiras: assexuada e sexuadamente.
Na reprodução assexuada um único indivíduo origina outros, sem que haja troca de material genético através de células especiais para a reprodução.
Existem muitos tipos de reprodução assexuada, entre eles a cissiparidade ou bipartição, que são mais freqüentes entre os organismos unicelulares. Este tipo de reprodução consiste a célula simplesmente se dividir em duas partes, que passarão a representar dois novos seres.
Entre os seres pluricelulares, existem também aqueles que se reproduzem de forma assexuada: reprodução por esporos e reprodução por brotamento.

            Reprodução por esporos
 
Nesse tipo de reprodução assexuada, o indivíduo produz esporos, células que conseguem germinar originando novos indivíduos, sem que haja fecundação.
A reprodução através de esporos pode ocorrer em organismos unicelulares, e em organismos pluricelulares.
Considerando os organismos pluricelulares, tomaremos como exemplo uma alga verde filamentosa do gênero Ulothrix, que vive fixa a um substrato. Essas algas, que vivem em água doce, produzem esporos que são liberados e nadam livremente até se fixarem em um meio adequado; cada esporo, então, pode germinar e formar um novo indivíduo.

            Reprodução por brotamento

Este tipo de reprodução assexuada também ocorre em organismos unicelulares e organismos pluricelulares. Tomamos como exemplo a hidra, um animal invertebrado que vive em água doce. Em uma hidra adulta nasce naturalmente um broto, que pode se destacar e dar origem a outra hidra.
 
A propagação vegetativa  
 
          É um tipo de reprodução assexuada muito comum em plantas diversas, como a batata comum, a cana-de-açúcar
e a mandioca. Nesse caso utilizam-se normalmente pedaços de caule, que atuam como "mudas". Os caules possuem gemas ou brotos, formados por células capazes de originar uma nova planta, em condições adequadas.
 
 

            Reprodução sexuada

A reprodução sexuada ocorre quando há troca de material genético normalmente entre duas células sexuais chamadas gametas. (Alguns organismos unicelulares, como as bactérias, podem se reproduzir sexuadamente sem que haja formação de gametas. Nesse caso dois indivíduos podem se emparelhar temporariamente e trocar parte de seu material genético).
Na reprodução sexuada com participação de gametas, podemos reconhecer dois tipos de células: um gameta masculino e outro gameta feminino. Nos animais, os gametas masculinos são os espermatozóides, e o óvulo gameta feminino.
Existem dois tipos básicos de fecundação: a fecundação externa e a fecundação interna.

            Fecundação externa

A maioria dos ouriços-do-mar vive fixa nas rochas do mar. Em determinadas épocas do ano, os machos lançam seus espermatozóides na água. Ao mesmo tempo, as fêmeas lançam os seus óvulos. O encontro desses gametas ocorre na água e, portanto, fora dos organismos produtores de gametas.

            Fecundação interna

            Em outros animais, como os pássaros, o macho lança os espermatozóide dentro do corpo da fêmea. O encontro dos gametas ocorre no interior do corpo de um organismo produtor de gametas.
             Existem os animais hermafroditas. Eles são, ao mesmo tempo, macho e fêmea. Um mesmo organismo produz tanto espermatozóides quanto óvulos, como acontece na minhoca.
            Mas uma minhoca não fecunda ela mesma; aliás, os animais hermafroditas geralmente não se auto fecundam. Para haver reprodução, é necessário que duas minhocas se aproximem e se acasalem. Durante o acasalamento, as duas minhocas trocam espermatozóides e uma fecunda a outra. Os óvulos fecundados são liberados no solo no interior de um casulo; cada óvulo fecundado dará origem a uma nova minhoca.


Crescimento

Em todo organismo vivo se realizam sínteses de compostos químicos com base nos nutrientes recebidos e em fenômenos de degradação energética produzidos pelo consumo vital. Quando os primeiros, anabólicos, superam a intensidade dos segundos, catabólicos, o  organismo vive um processo conhecido como de crescimento.

Chama-se crescimento todo acréscimo das dimensões (volume, altura, peso) e funções em geral de um organismo, a partir dos processos de divisão celular.   Característica de todos os seres vivos, consta de duas fases, distintas mas simultâneas: a diferenciação celular e o desenvolvimento corporal. Assim, o fenômeno verifica-se em diversos níveis de organização biológica: o celular, que abrange os dois mecanismos de divisão das células, a meiose e a mitose; o hístico ou tissular, em que se desenvolvem os tecidos; o sistemático, mediante o qual se produz a associação de tecidos em sistemas e aparelhos fisiológicos; e, por último, o orgânico, pelo qual os organismos alcançam o estado adulto.

Crescimento vegetal. Os vegetais evolutivamente menos desenvolvidos (algas, fungos, musgos) crescem mediante mitoses não localizadas. Nas plantas superiores (vasculares), o crescimento ocorre a partir de tecidos jovens em que as unidades celulares ainda não se diferenciaram e denominam-se meristemas. O processo é determinado por fatores externos, como o clima ou a disponibilidade de nutrientes, e por fatores endógenos, como a produção de hormônios vegetais (por exemplo, auxina ou ácido giberélico).

Em todas as plantas se registra um crescimento primário longitudinal em que intervêm os meristemas situados nas extremidades de raízes e brotos. À medida que se forma um novo tecido, por divisão das células meristemáticas, as partes mais afastadas dessa zona terminal se diferenciam em tecidos especializados como o lenho ou xilema, que transporta água das raízes para as folhas, e o líber ou floema, que carreia alimentos no sentido inverso.

Em determinados vegetais, produz-se ainda um crescimento secundário em espessura, em que se geram células no sentido lateral a partir de um meristema de segunda ordem denominado câmbio, do qual existem dois tipos: o vascular e o suberígeno. O câmbio vascular, situado entre o xilema e o floema primários, produz por sua vez xilema secundário, para dentro, e floema secundário, para fora, constituído de caules e raízes.

O câmbio suberígeno, situado na periferia da estrutura vegetal, dá origem a um tecido celular chamado parênquima suberoso, para dentro e, para fora, produz súber ou felema, conjunto de células de contextura similar à da cortiça, que depositam sobre suas paredes grande quantidade de suberina e morrem. Nas regiões temperadas, os vasos do xilema formados na primavera são maiores que os do resto do ano, o que se observa a olho nu pela alternância de anéis claros e escuros no tronco das árvores. Cada par desses anéis de diferente tonalidade é interessante  indicador do crescimento anual da planta.

Crescimento animal. Depois da formação dos órgãos de um animal pluricelular, durante os processos de desenvolvimento embrionário, eles crescem até alcançar o tamanho em que se apresentam no indivíduo adulto. Em alguns animais, o crescimento se produz de maneira mais ou menos contínua, como é o caso do ser humano. Costuma ser muito acentuado nas primeiras etapas e a seguir decresce paulatinamente, embora possam registrar-se fases de reativação.

Em outras classes do reino animal, como em determinados insetos, a exemplo dos gafanhotos, mantêm-se fases irregulares de crescimento. Por serem cobertos de uma casca espessa, vêem-se obrigados a desprender-se dela periodicamente. Para isso, se inflam, engolindo água ou ar até romperem o envoltório. Depois de formarem outro, regenerado, reduzem outra vez o volume do corpo e deixam espaço para um futuro crescimento.

Enquanto isso, outras ordens de insetos, como a dos lepidópteros, não têm a mesma forma nos estados juvenil e adulto. Para chegar ao segundo, a forma menos desenvolvida, denominada larva, deve sofrer um processo de metamorfose durante o qual se observa radical mudança morfológica, em que o animal não se move nem se alimenta. Nessa fase, denomina-se pupa ou crisálida. As borboletas e mariposas, como também as moscas, são alguns dos seres que experimentam esse tipo de crescimento.

Em todos os animais, o crescimento é condicionado por fatores externos e internos. Entre os primeiros, os mais importantes são nutricionais. Existem quantidades mínimas de substâncias, como as vitaminas ou os aminoácidos essenciais, que devem ser ingeridas na dieta, uma vez que não podem ser sintetizadas espontaneamente pelo organismo.

Também se conhecem fatores intrínsecos do organismo implicados nos processos de crescimento. No homem, a hipófise (pituitária), glândula situada sob a massa cerebral, segrega o chamado hormônio do crescimento, cuja carência impede o desenvolvimento físico normal e provoca nanismo. A mesma glândula segrega os hormônios que propiciam o desenvolvimento sexual. De forma análoga, em insetos como o gafanhoto a muda resulta da ação do hormônio correspondente.

Existem mecanismos que inibem o crescimento. Quando um tecido alcança forma e tamanho definitivos, suas células deixam de dividir-se. Segundo os estudos realizados a respeito, o controle funcional do processo depende das membranas celulares, que são capazes de reconhecer se estão ou não em contato com outras células ou com superfícies limitadoras. Essa característica fisiológica é um fator determinado por transmissão genética.

Em casos anômalos, como os processos cancerosos, registra-se um crescimento desordenado das células de  determinado órgão ou parte do corpo, que acumulam grande quantidade de nutrientes e tanto podem invadir órgãos vizinhos como desajustar seu funcionamento.


Corrosão


Os prejuízos decorrentes da corrosão atingem somas astronômicas no mundo todo, incluídas as perdas de materiais, os lucros cessantes e o custo da prevenção. As perdas mais graves, no entanto, se contam em vidas humanas e se devem a acidentes ocasionados por falhas de materiais metálicos.
Corrosão é a deterioração de um material metálico por ação química ou eletroquímica do meio ambiente. Com exceção de alguns metais nobres, que podem ocorrer no estado elementar, os metais são geralmente encontrados na natureza sob a forma de compostos, sendo comum a ocorrência de óxidos e sulfetos metálicos. Como os compostos têm conteúdo de energia inferior ao dos metais, são relativamente mais estáveis. Logo, os metais tendem a reagir espontaneamente com os líquidos ou gases do meio ambiente: o ferro se enferruja no ar e na água e objetos de prata escurecem quando expostos ao ar.
De certo ponto de vista, a corrosão pode ser considerada o inverso do processo metalúrgico. Este transforma o minério de ferro -- óxido de ferro -- no metal ferro. Este, no entanto, na atmosfera ambiente tende a oxidar-se, voltando à condição inicial de óxido. Essa oxidação é também chamada corrosão.
Corrosão e erosão são processos que não devem ser confundidos. O último termo se aplica a desgaste não eletroquímico, ou a desgaste de materiais não-metálicos. Erosão é, portanto, o desgaste de metais ou outros materiais pela ação abrasiva de fluidos (gás ou líquido) em movimento, usualmente acelerado pela presença de partículas sólidas em suspensão.
Os problemas de destruição de materiais metálicos são freqüentes e de certa relevância nas mais variadas atividades, como por exemplo: (1) nas indústrias química, petrolífera, naval, automobilística e de construção; (2) nos meios de transporte aéreos, ferroviários, marítimos e rodoviários; (3) na odontologia, que emprega materiais metálicos que ficam em contato com a saliva e alimentos corrosivos; (4) na medicina, mais especialmente na área da ortopedia, que emprega materiais metálicos para facilitar a consolidação de fraturas, ficando esses materiais em contato com o soro fisiológico, solução que contém cloreto de sódio e pode ser considerada como meio corrosivo para determinados materiais metálicos.
As diferentes formas de destruição provocadas pela corrosão podem ser enquadradas nas seguintes categorias: (1) corrosão uniforme, em que há perda regular ou uniforme da espessura do material; (2) corrosão alveolar e por pite, ou puntiforme, formas de corrosão que ocorrem em pequenas áreas; os alvéolos são cavidades na superfície metálica, de fundo arredondado e profundidade menor que seu diâmetro, enquanto os pites têm as mesmas características dos alvéolos, mas com profundidade maior que o diâmetro; (3) corrosão intragranular ou intercristalina, localizada nos contornos dos grãos de um metal ou liga; (4) corrosão intragranular, ou transgranular, que ocorre entre os grãos de um metal ou liga; (5) corrosão filiforme, mais freqüente sob as películas de tintas ou outros revestimentos, em meios úmidos, e caracterizada pelo aspecto de filamentos que toma o produto da corrosão.

Agentes de corrosão. Os meios mais intensamente corrosivos são a atmosfera, águas potáveis, água de rios e estuários, água do mar, solo, produtos químicos, alimentos e substâncias fundidas. A ação corrosiva da atmosfera é influenciada principalmente pela poeira, gases e umidade relativa, sendo de importância particular o SO2 (dióxido de enxofre) resultante da queima de carvão, óleo e gasolina, que contém enxofre. O dióxido de enxofre é oxidado a SO3 (trióxido de enxofre) que, com a umidade do ar, forma H2SO4 (ácido sulfúrico), tornando a atmosfera bem mais agressiva. Por esse motivo, as atmosferas industriais são mais corrosivas que as rurais. Outro fator importante para a ação corrosiva da atmosfera é a umidade. Em atmosfera de umidade relativa inferior a sessenta por cento, a corrosão é praticamente nula.
Os materiais metálicos em contato com a água tendem a sofrer corrosão, que vai depender das várias substâncias que possam contaminá-la. Nesse processo de corrosão devem ser considerados, também, o pH, a velocidade de escoamento e a temperatura da água. Entre os agentes corrosivos naturais, a água do mar é um dos mais enérgicos, pois contém concentrações relativamente elevadas de sais e funciona como eletrólito forte, ocasionando um processo rápido de corrosão.
O comportamento do solo como meio corrosivo é de grande importância, levando-se em consideração as enormes extensões de oleodutos, gasodutos, aquedutos e cabos telefônicos enterrados, que exigem um controle rigoroso de manutenção para evitar corrosão acelerada. Os fatores que mais influenciam a ação corrosiva dos solos são: porosidade, resistividade elétrica, sais dissolvidos, umidade, corrente de fuga, pH e bactérias.
Nos equipamentos usados em processos químicos é indispensável considerar a agressividade dos produtos químicos utilizados, que não só ocasionam desgastes do material metálico dos equipamentos como também contaminação dos produtos. O efeito corrosivo dos alimentos depende da formação de possíveis sais metálicos tóxicos. Assim, recipientes de chumbo não devem ser usados na preparação de bebidas e alimentos, pois estes podem atacá-lo, formando sais de chumbo, altamente tóxicos.
Os metais apresentam diferentes susceptibilidades à corrosão. Assim, estruturas metálicas de ferro são facilmente corroídas quando colocadas em orla marítima ou em atmosferas industriais; o zinco e o alumínio apresentam maior resistência, que é excelente no ouro e na platina.

Proteção contra a corrosão. O conhecimento do mecanismo das reações envolvidas nos processos corrosivos é pré-requisito para o controle efetivo dessas reações. O próprio mecanismo da corrosão pode sugerir modos de combate ao processo corrosivo. Os métodos práticos adotados para diminuir a taxa de corrosão dos materiais metálicos consistem em modificações nos meios corrosivos e nas propriedades dos metais; emprego de revestimentos protetores (metálicos e não-metálicos); proteção catódica e anódica.
Os inibidores de corrosão são substâncias que adicionadas ao meio corrosivo, mesmo em pequenas quantidades, reduzem a taxa de corrosão. Entre os numerosos inibidores podem ser citados os nitritos, cromatos, tiouréia e aminas. Às vezes se procura modificar as propriedades do metal, escolhendo uma liga com características tais que o efeito do meio corrosivo se reduza. Assim, a adição de cromo aos aços inoxidáveis propicia a formação de uma camada de Cr2O3 (óxido de cromo) que protege o aço. Costuma-se também adicionar, em aços especiais, níquel, nióbio, titânio ou molibdênio, para proteção contra diferentes tipos de corrosão. Adiciona-se cerca de 0,2% de cobre aos aços doces para aumentar sua resistência à corrosão atmosférica.
Nos processos de proteção por emprego de revestimentos, intercala-se uma camada protetora entre o metal e o meio corrosivo. Os revestimentos podem ser: (1) metálicos, nos quais se utilizam o zinco (processo de galvanização), o cromo (cromagem), o níquel (niquelagem), o alumínio, o cádmio, o chumbo e outros; (2) não-metálicos inorgânicos, que são os revestimentos formados por reações químicas entre o material metálico e o meio corrosivo, como a anodização, que consiste na formação de Al2O3 (óxido de alumínio), de grande aderência; (3) não-metálicos orgânicos, como tintas, vernizes etc.
De todos os métodos aplicados no combate à corrosão, o mais universalmente difundido é o baseado em revestimentos orgânicos, de mais fácil aplicação e, na maioria das vezes, o mais econômico. Destacam-se as tintas que contêm pigmentos anticorrosivos, como, por exemplo, zarcão, zinco e cromato de zinco, e também aquelas em que são usadas resinas alquídicas, fenólicas, vinílicas, poliuretanas e epóxi.
A proteção catódica é a técnica de combate à corrosão que consiste em reduzir o potencial do material metálico a um valor que impede a reação de oxidação do metal. Pode ser galvânica, em que os chamados ânodos de sacrifício, de magnésio, zinco ou alumínio, são atacados em lugar da estrutura protegida; ou por corrente impressa, em que se utiliza uma fonte externa de corrente contínua, como um retificador, e empregam-se ânodos auxiliares que podem ser inertes e funcionar apenas como condutores. Esses sistemas são recomendáveis para proteção de cascos de navios, oleodutos, gasodutos etc.
A proteção anódica se baseia na formação de uma película protetora, nos materiais metálicos, por aplicação de correntes anódicas externas. O método se recomenda para materiais metálicos como o níquel, cromo e titânio.

A inovação não é exclusiva de ninguém, é obrigação de todos


“A inovação não é um exclusivo de ninguém e a nossa aptidão para potenciar a capacidade criativa e de desenvolvimento que existe nos engenheiros do nosso país consiste em fazer parcerias [com as universidades].Eis a opinião de Zeinal Bava, que explicou ao “Ciência Hoje” (CH) a importância do papel da Portugal Telecom (PT) no desenvolvimento da investigação que é feita em Portugal, assim como a abertura do laboratório Sapo na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP).

De acordo com o presidente executivo da PT, o apoio que esta empresa presta à ciência consiste no financiamento de bolsas de investigação, na construção de laboratórios dentro das universidades e na aposta em projectoscom grande viabilidade” de mercado. “Tudo isto permite que docentes e alunos possam ver as suas ideias concretizadas e utilizadas pelas pessoas”, perpetuando-os, sublinhou o empresário.
Zeinal Bava acredita que desta forma é possível trabalhar a inovação com objectivos de curto prazo, numa perspectiva de “melhoria continua”; de médio prazo, ao que chama de “inovação planeada”; e de longo prazo, designada por “inovação exploratória”. “É no equilíbrio entre estes três tipos de inovação” que a PT vai continuar a rentabilizar o que faz diariamente, assegurou.

Na sua opinião, o sucesso das parcerias entre empresas e entidades académicas passa pela partilha e pelo trabalho com abertura, que deve caracterizar os projectos de I&D. “A inovação é uma obrigação de todos e só pode ser potenciada se trabalharmos numa cultura de rede”, frisou, acrescentando que a colaboração com as universidades é algo que pretende “continuar a incentivar e a aprofundar”.

Proximidade com o talento e cultura de risco acentuada

Celso Martinho, director tecnológico da Sapo também explicou ao nosso jornal a importância dos laboratórios criados pela PT nas universidades de Aveiro e do Porto. Para além de proporcionarem proximidade com o talento, são espaços por excelência onde se pode fazer muita experimentação e ter uma cultura de risco mais acentuada”, algo “difícil de obter num ambiente mais ligado ao negócio”. O mesmo reforçou também que, se os projectos “não derem em nada, está tudo bem porque isso faz parte da fórmula de sucesso”.

Relativamente a estes dois laboratórios, Celso Martinho considera que o da Universidade de Aveiro (UA) está “um pouco mais avançado”, na medida em que também já foi concebido há mais tempo.Já temos vários projectos que conseguiram dar a o salto para o ambiente comercial, como o Sapo Campus, e esperamos conseguir fazer o mesmo com o laboratório da UP”, que foi ontem inaugurado, embora funcione há vários meses.

O projecto Sapo Campus, desenvolvido no laboratório da UA, resultou do reaproveitamento de várias tecnologias que o portal Sapo tem de suporte – vídeos, fotografias, blogs, etc. – “e que a universidade, dentro de um laboratório, conseguiu encapsular num produto novo”. Trata-se de uma ferramenta de apoio ao processo de aprendizagem em que os docentes e os alunos podem gerir os conteúdos que produzem na sala de aula, em vez de usar as ferramentas públicas de blogging e de vídeos para utilizarem esse material.

“Agora têm um espaço próprio onde podem construir essa base de dados de conhecimento das suas cadeiras”, destacou Celso Martinho, adiantando que a PT pretende “propor o produto a outras entidades ligadas ao ensino e que não sejam necessariamente universidades”.

A tecnologia é um meio para atingir um fim

Zeinal Bava falou também sobre o investimento da PT em novas tecnologias, dizendo que este éum imperativo estratégico da empresa”. O presidente executivo sublinhou que a tecnologia é “um meio para atingir um fim”, e nunca a finalidade em si, acrescentando que esta “tem que estar disponível para que as empresas possam desenvolver serviços que melhorem a sua eficiência e eficácia e a qualidade de vida das pessoas”.

O empresário assumiu que a PT está comprometida com a quarta geração, mas advertiu que a sua 
“massificação” está além do trabalho que pode ser feito pela sua empresa, pois terá a ver directamente com os custos dos equipamentos terminais.Podemos ter a quarta geração disponível mas, se os equipamentos terminais forem muito caros, as pessoas não vão usar”, pelo que, na sua opinião, a massificação vai depender de “um esforço de toda a indústria e, acima de tudo, do que for investido no desenvolvimento de aplicações”.
 
 

É possível influenciar os movimentos de um indivíduo por impulsos eléctricos




Uma equipa de estudantes de Nova Iorque conseguiu transferir impulsos eléctricos de uma pessoa para o corpo de outra, através da leitura de uma electromiografia (EMG). O trabalho deriva de um projecto de fim de curso de Computação Física. Alex Dodge, Stepan Boltalin e Johnny Lu han têm estado a estudar a EMG, uma técnica utilizada para registar a actividade eléctrica produzida pelos músculos.

O grupo de alunos é capaz de transferir movimentos próprios do braço de um indivíduo para o de uma outra pessoa – o primeiro move o braço e o segundo repete o movimento de forma mais ou menos automática.
O método converte a função da leitura da EMG e transforma-a em escrita. Para chegar até aqui, tiveram de reescrever o código tradicional da electromiografia para conseguir a melhoria dos sinais. Posteriormente, usaram esse sinal para controlar um optoacoplador – dispositivo de emissão e recepção que funciona como um interruptor – para regular a saída do estimulador de músculos.
Este sistema serve actualmente para mostrar como seria a tecnologia, ler movimentos musculares e transmiti-los para um segundo local, onde se encontram eléctrodos, ou seja, outra pessoa. Apesar dos resultados serem incríveis e alusivos a um filme de ficção científica, continuam erráticos.
O próximo passo será tentar guardar ou gravar o movimento de um músculo para de seguido reproduzi-lo no mesma pessoa ou, quando for possível, para uma máquina. O único problema agora é conseguirem fazê-lo com o material que actualmente têm disponível, o hardware e precisam de mais estudos de investigação e uma organização que financiasse o projecto. 

A física e matemática dos filmes de animação

Nesta época festiva, alguns dos momentos preferidos, em família, são passados em frente ao ecrã e a programação tende para apelar à magia de Natal, com princesas, dragões e outras criaturas fantásticas. As produções da Pixar e da DreamWorks são um laboratório para estudos avançados de física e matemática.

As personagens têm uma aparência realista, com a popularização das produções em três dimensões (3D) que depende de um emaranhado de funções e equações. Segundo um artigo publicado na última edição da revista «Science», a física e a matemática estão relacionadas ao salto de qualidade das animações.
Um dos exemplos mais perceptíveis são as roupas dos personagens, que, nos últimos tempos, ganharam movimentos complexos. Por exemplo, o vestuário usado pelas personagens do Shrek tem um movimento, semelhante ao dos tecidos verdadeiros. Graças ao trabalho de um grupo de físicos computacionais, a indumentária usada pelas personagens de animação ficam molhados, engelhados, desfiam e muito mais.

Para chegar a esse resultado, um dos métodos considerados mais realísticos pelos especialistas faz uma simulação completa de cada nó, de cada torção no fio de tecido, posteriormente traduzido em movimento.

Áreas complexas

A técnica, no entanto, tem um problema: ainda não consegue ser suficientemente fiel à realidade quando se trata de tecidos mais grossos e o problema é corrigido com uma equação que permite a formação de microburacos em pontos estratégicos.

Apesar dos avanços, a criação de ambientes relacionados com a água e outros líquidos ainda é um desafio. Especialmente quando elementos com características físicas e tamanhos muito diferentes estão na mesma cena: como um navio (rígido) a deslizar sobre um mar agitado.

Encontrar a solução tem movido físicos especialistas em computação gráfica e, principalmente, os próprios estúdios que fazem as animações, mas a precisão matemática não é suficiente nas animações.